O aumento expressivo nos cachês cobrados por artistas para apresentações no período de Carnaval tem provocado um efeito em diversos municípios do Nordeste e já impacta diretamente a programação festiva de cidades no Piauí.
De acordo com reportagem publicada pelo UOL Notícias, assinada pelo colunista Carlos Madeiro, prefeitos da região têm relatado reajustes superiores a 100% de um ano para outro. Há casos de bandas que cobravam R$ 100 mil em 2025 e passaram a pedir entre R$ 200 mil e R$ 300 mil em 2026. Alguns artistas estariam solicitando até R$ 800 mil por apresentação.
O cenário tem levado municípios a cancelarem ou reduzirem as festividades de Carnaval, sob a justificativa de responsabilidade fiscal e priorização de áreas essenciais.
No Ceará, cidades como Tauá, Caucaia e Jaguaretama anunciaram o cancelamento das festas. No Rio Grande do Norte, a Prefeitura de Paraú informou que vai direcionar os recursos para ações contra os impactos da seca. Situação semelhante ocorreu em Santa Luzia, na Paraíba.
Segundo Joacy Alves Junior, presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), um dos fatores que contribuíram para a alta foi o aumento de eventos custeados com recursos federais, incluindo emendas parlamentares.
“Tem banda que era R$ 100 mil em 2025, mas que agora quer cobrar R$ 200 mil, R$ 300 mil. Tem banda cobrando até R$ 800 mil. Não há como pagar”, afirmou.
Ele também cita que a ampliação das chamadas “emendas Pix” facilita o repasse direto de recursos aos municípios, o que, na avaliação de gestores, acaba pressionando o mercado e elevando os valores cobrados.
Além disso, 2026 é considerado um ano de maior cautela fiscal, diante da queda de arrecadação apontada por associações municipalistas.
No Piauí, o impacto também já é visível. Pelo segundo ano consecutivo, a Prefeitura de Teresina decidiu não realizar o tradicional Corso de Carnaval, evento que integra o calendário cultural da capital e reúne milhares de foliões.
No interior, a Prefeitura de Corrente também anunciou o cancelamento do Corso, festa que tradicionalmente movimenta a economia local e atrai visitantes da região.
As decisões seguem a tendência observada em outros estados nordestinos: contenção de despesas diante de cachês considerados incompatíveis com a realidade financeira das prefeituras.
Na Bahia, prefeitos se reuniram com o Ministério Público estadual para discutir critérios e limites para a contratação de artistas no São João. Na Paraíba, encontros com o Tribunal de Contas do Estado também trataram do tema.
A proposta discutida entre associações de municípios do Nordeste é alinhar parâmetros para evitar que reajustes considerados desproporcionais em um estado acabem pressionando os demais.
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